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domingo, 16 de dezembro de 2012

room service.



ROOM SERVICE was a monthly feature for www.VOGUE.pt
from July 2010 to December 2012.
photos by me and text by Carolina Almeida.




sábado, 15 de dezembro de 2012

room service - sara dos santos.










Quando entrou para a Sorbonne, Sara dos Santos queria ser intérprete, daí ter-se formado em Línguas Estrangeiras. Mas como filha e neta de costureiras, a vida encarregou-se de a trazer para perto das suas origens.

Nasceu e viveu em França até terminar o mestrado em Gestão das Indústrias do Luxo e das Profissões da Arte, para depois iniciar a vida profissional em terras lusas, com um estágio na Cartier. Passa entretanto pela agência de comunicação XN Brand Dynamics, onde trabalha a mesma Cartier e a Hermès e, mais tarde, assume o cargo de Directora de Comunicação da divisão de Luxo. Abraça outro estágio, desta vez na Montblanc, na Alemanha, logo depois de ter passado um ano em Milão a estudar Creative Management. E a lista continua. Hoje, Sara gere a sua própria agência de comunicação (Sara dos Santos), especializada em marcas de luxo e moda, que criou há menos de ano. Fomos conhecer o seu luminoso quarto, onde conversámos a três vozes, na companhia do marido Manuel Damião, produtor de moda.

O que representa para ti o quarto enquanto divisão?

É essencialmente um sítio para dormir, vestir, eventualmente maquilhar-me, porque tem muita luz, e para ler. Passo muito menos horas no quarto do que na sala, por exemplo.

Desde o início que idealizaste o quarto assim, como está agora?
Idealizámos - no plural (risos), porque pensámos sempre os dois. Nunca compramos nada sem a opinião um do outro! O quarto tinha de ser simples e prático. O armário foi idealizado mais por mim, porque gosto muito de espelhos e, além disso, dá profundidade ao quarto e, também, porque tem imensa arrumação. Tenho um canto só para carteiras!

Aí tem de ser mesmo para os dois, porque ambos a trabalhar em moda...
Ele só tem cerca de um terço (risos)! O armário era algo extremamente importante, porque não gosto de roupas à vista. As mesas de cabeceira foram outra história. Andámos meses para encontrar umas que gostássemos. Ou eram muito clássicas ou tinham materiais que não queríamos, enfim, havia sempre qualquer coisa. E, uma vez, a minha mãe disse-me que tinha umas mesas de cabeceira em casa dela, para eu ir ver se gostava. Disse-lhe logo que eram demasiado clássicas, mas ela sugeriu que as pintássemos na cor que quiséssemos. E assim foi. Mandámos pintar de dourado.

Nada como reaproveitar móveis antigos da mãe ou da avó...
Exacto! Os bengaleiros de madeira, por exemplo, eram da minha avó, que era costureira, e estavam no meu quarto, na casa da minha mãe. Sempre lhe disse que os queria levar comigo quando tivesse uma casa minha.

Já percebi que evitas o demasiado clássico, mas gostas de detalhes antigos. Como defines o teu estilo, na casa?
O meu tipo de casa de sonho é de estilo minimalista, mas também adoro o rococó. E às vezes a mistura tem muita piada, como peças totalmente clássicas com um candeeiro muito moderno, por exemplo.

E os quadros, de onde vêm?
Os quadros foram oferecidos ao Manecas (Manuel Damião) ainda nós não nos conhecíamos. São da autoria de um amigo dele, chamado João Soutullo. São auto-retratos, não são?

(Manuel) Sim. Ele é também artista plástico. Trabalhou cerca de 40 anos entre o teatro nacional, teatro de Revista, etc. Trabalhei com ele como assistente de figurino em duas ou três novelas e criámos uma grande relação de amizade, que ainda hoje mantemos. Ele deu-me entretanto 5 quadros e disse-me que eu iria gostar deles mesmo sem os ver. Quando os recebi, fiquei...uau!

(Sara) Gosto imenso de preto e como os quadros são um pouco dark, mas têm uns apontamentos de cor, adoro-os.

E qual a razão desse gosto pelo preto?
Adoro preto! Não sei bem, mas para mim significa a elegância, porque fica bem com tudo, é como a história do vestido Chanel... Julgo que também seja cultural, nasci e vivi quase toda a minha vida em França e lá usamos cores extremamente escuras - castanhos, pretos, azuis escuros; e, em Portugal, adoro o lado do Fado, portanto não me choca minimamente. Daí os candeeiros pretos, etc...

O que não dispensas no quarto?
Os meus livros, que estão sempre a mudar e que tenho sempre na mesa de cabeceira. Tenho toneladas!

(Manuel) Tem mesmo toneladas!!

Quais é que estás a ler agora?
Neste momento, estou a ler "Os Tempos Hipermodernos", de Gilles Lipovetsky, em português. Mas leio muito em francês, sobretudo à noite, na cama, porque os franceses têm imensos livros de bolso, mais leves, que eu adoro. "Les Temps Vieillit Vite" é um livro de um meus autores preferidos, Antonio Tabucchi, um italiano, especialista na obra de Fernando Pessoa. Às vezes, também leio em italiano, mas este comprei em Paris. E também estou a ler "Un roman français", de Frédéric Beigbeder. Estes são os que estão em cima da cabeceira agora, mas tenho mais...

Se tivesses de escolher um objecto especial no teu quarto, qual seria?
Tenho dois: a Nossa Senhora de Fátima, que foi a minha avó que me deixou e que tenho sempre comigo, e os bengaleiros de madeira, que são mesmo de alfaiate.

O que gostas mais no teu quarto?
Da luz e do candeeiro (risos)!

© photography Sara Gomes
© text Carolina Almeida
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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

room service - violaine bernard.











As suas origens são francesas, mas a vida faz-se agora em terras de Sua Majestade. Violaine nasceu na Bretanha, mas foi em Paris que cresceu e estudou Belas Artes e Psicologia. Há 9 anos, trocou a Cidade-Luz por Londres, onde é consultora e Diretora de Moda da Velour Magazine.

Antes disso, passou pelas Relações Públicas da famosa boutique Feathers, o seu primeiro emprego. No quarto de Violaine, encontrámos um pequeno mundo de detalhes, muito feminino, onde não podem faltar flores frescas. A cereja em cima do bolo? O seu fiel amigo de quatro patas, o Capitain Brioche, que a acompanha em qualquer sesta. Et voilá!

Como surgiu a tua paixão pela moda?

Começou muito cedo. Interessei-me sempre muito por moda, desde que me lembro!

E o que te atrai mais no mundo das revistas?
A possibilidade de ter uma voz e partilhar a minha visão da forma mais criativa possível. Descobrir talentos também é algo fabuloso. Este é o lado bom do trabalho. É melhor não ir pelas partes más!

Fala-me do teu quarto. O que representa para ti enquanto divisão?
Apesar de ter uma secretária, tento não trabalhar no quarto. Ou, se o faço, dou prioridade a tudo o que seja criativo e deixo as partes chatas para o escritório. Gosto de pensar no quarto como um lugar para sonhar e relaxar. E se a minha agenda o permitir, adoro fazer pequenas sestas com o meu gato.

...o adorável Capitain Brioche. Qual é a história dele?
Ele é apenas um gato de dois anos que tem medo do aspirador e dos pombos.

O que gostas mais no teu quarto?
O espelho. Faz-me as pernas ligeiramente mais longas!

O que não dispensas no quarto?
As minhas roupas e, bom... a minha cama!

És fã de design de interiores?
Na verdade não, nunca olho para o design de interiores...estou tão habituada a construir looks, que julgo sempre que sou má a organizar e decorar o meu apartamento.

Mas tens algum estilo que sigas com mais atenção?
Não há nenhum estilo em particular com o qual me identifique. Varia bastante...

E gostas de variar também a decoração?
Na verdade não, mas tento ter sempre flores e plantas novas.

Se tivesses de escolher um objecto especial do teu quarto, qual seria?
A minha cadeira estilo 60's que trouxe de Norfolk. Apaixonei-me logo por ela e tive de a comprar!

Consegues definir o teu quarto numa palavra?
Girly...

© photography Sara Gomes
© text Carolina Almeida
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

room service - hella pebble.










Chama-se Joana, mas todos a conhecem por Hella, o seu nome de guerra. Ela é o rosto por trás do blogue Amberhella, um espaço onde junta duas das suas grandes paixões: moda e fotografia.
Esta Técnica de Marketing, de 30 anos, formou-se em Línguas Estrangeiras Aplicadas na Universidade Católica, mas antes de terminar a licenciatura já estava na ETIC a estudar Fotografia. O estilo edgy e os seus longos cabelos platinados marcam a diferença na blogosfera. No quarto de Hella, encontrámos uma simplicidade mestra e um closet de cair para o lado.

Como e quando começaste o Amberhella?
O blogue foi criado em 2010. Adorava ver blogues, seguia alguns e achava estupendo o efeito espelho e a identificação que sentia ao fazer scroll down. Senti necessidade de eu própria fazer algo assim, fazia-me sentido.

De onde vem o fascínio pela Moda?
A minha mãe diz que com 3/4 anos eu já sabia o que queria vestir e, desde que me lembro, que fazia filmes de desfiles com a minha melhor amiga. Enquanto uma filmava, a outra desfilava e vice-versa. Fazíamos um styling louco com as nossas coisas e as coisas da minha mãe, até frutas de plástico usávamos a fazer de mala!

Daqui é impossível não "saltar" para dentro do teu closet e perguntar: como conseguiste criar este espaço de sonho?
Ter um walking closet sempre foi mesmo um sonho! E posso afirmar que é um sonho tornado realidade. Sim, os sonhos podem tornar-se realidade (risos)!

Guardas ali tudo ou ainda tens outros recantos?
Sim, guardo a maior parte. Mas muita coisa ainda está em casa da minha mãe.

Como consegues que esteja tão organizado? Está sempre assim?
Está sempre assim! Eu sou, talvez, a pessoa mais organizada que conheço. Por mim estava ainda mais organizado/arrumado, mas por excesso de coisas e falta de espaço, não é possível. A minha consciência em ter as coisas arrumadas está no limite de um distúrbio mesmo...organização é a minha “cena”.

Qual a tua maior obsessão: roupa, sapatos ou acessórios?
Tudo! Um belo par de botins não vive sem um belo par de calças; e um belo par de calças não vive sem a blusa perfeita; e a blusa perfeita não vive sem a alça de uma kick ass bag ao ombro.

Gosto da combinação das cores dos têxteis do teu quarto com o branco. Preferes os tons claros?
Agora prefiro. Já tive muita cor no quarto. Podendo agora “começar de novo”, decidi deixar este meu espaço super simples e aproveitar a luz que o quarto tem como acessório principal.

Há alguma cor que consideres proibitiva no quarto?
Por norma sou muito open minded e não gosto de proibições, mas não me vejo a ter um quarto amarelo ou vermelho, por exemplo.

O que representa para ti o quarto enquanto divisão?
É o meu refúgio, onde penso mais na vida, leio, durmo. Não acho que seja a divisão mais pessoal em termos de decoração, porque tendo uma casa só minha, considero-a um todo como reflexo da minha personalidade, mas é com certeza "o" espaço menos social e mais privado.

O que gostas mais no teu quarto?
A cama! Mega simples, do Ikea, mas é a minha cama preferida!

O que não pode faltar?
Lençóis lindos e macios.

Gostas de mudar o quarto frequentemente?
Mudava muito mais antes, no meu quarto de adolescente…Mas ainda adoro mudar e variar.

Se tivesses de escolher um objecto especial dentro do quarto, qual escolherias?
O quadro do menino da lágrima. Era dos meus avós paternos e era na casa deles que passava as férias todas e muitos fins-de-semana. Lembro-me de crescer a olhar para aquele quadro a pensar por que raio o menino estava a chorar...

Fazes coleção de algum objecto?
Vamos colocar assim a questão: do que não fazes coleção? (risos) Quando gosto de uma coisa é até à exaustão…vou comprando, comprando….

Como era o teu quarto em criança?
Tive o quarto de muitas formas! Sempre o mesmo, mas sempre diferente. Aos 17 compraram-me a minha desejada cama de dossel, com cortinas e tudo. Tinha imensas velas…Depois ficou todo cor-de-rosa e tirei as cortinas à cama. Foi sempre a decrescer a nível de quantidade de elementos no quarto. Talvez por isso agora adore o branco puro e renovador.

Podes falar-nos dos teus websites de inspiração favoritos?
Adoro a Fashion Toast, o Blog de Betty, entre muitos outros blogues de moda e beleza, muitos! Blogues de design de interiores vou apanhando links blogosfera fora. Os meus sites preferidos são os de fotógrafos que gosto e que prefiro no momento: Charlie Engman, Eudes de Santana, Lina Scheynius...


© photography Sara Gomes
© text Carolina Almeida
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

room service - francisca sousa











Francisca vive rodeada de obras de arte, no mais verdadeiro sentido da palavra, e dedica-se a elas todos os dias. Onde? No Museu Berardo, onde é registrar. Esta nortenha de berço (e coração!) confessa ter uma obsessão saudável por sapatos, a seguir às revistas, que ocupam o primeiro lugar da lista. Não consegue abdicar das paredes brancas do seu quarto, nem de lençóis de algodão. Tudo isto misturado com uma queda para tons românticos, volumosos cabelos encaracolados e um quarto sem distrações... Tcharan, chegamos até Francisca Sousa!

Vamos começar pelo princípio e fazer aquela pergunta simples: de onde és?

Nasci em Viseu, mas rapidamente vim para o Sul com os meus pais. Porém, quase toda a família se mantém pela Beira, o que faz com que eu vá lá frequentemente. Não sou uma Viseense desenraizada, antes pelo contrário.

Qual é a tua formação? 
Estudei Conservação e Restauro na Universidade Nova e terminei a minha licenciatura com um estágio no Museu do Chiado, o que acabou por me abrir portas para o primeiro emprego na Ellipse Foundation, no Estoril. Há pouco mais de um ano trabalho como registrar no Museu Berardo.

Podes explicar melhor em que consiste o teu trabalho?
A função de registrar consiste em fazer o registo de todas as exposições temporárias ou da coleção do museu, gerir e manter a base de dados da coleção, fazer relatórios de conservação, acompanhar empréstimos a outros museus... basicamente, acompanhar toda a logística que tem a ver com a movimentação ou intervenção nas obras de arte.

O que representa para ti o quarto enquanto divisão?
O quarto para mim é o descanso e o despertar. E é o lugar mais verdadeiro da minha casa, porque não tem distrações que me façam desligar de mim própria. É um lugar de silêncio e alguma contemplação. É também o lugar que alberga as minhas roupas que me são muito queridas. E é o sítio de que tenho sempre saudades quando estou longe.

O que gostas mais no teu quarto?
A minha cama e o branco das paredes, porque me acolhem.

Identificas-te com algum estilo, em termos de decoração?
Com nenhum em particular, vou gostando de coisas díspares.

Há um toque bastante girly e romântico nos têxteis, conjugados com o branco. Gostas desta combinação?
Sim, esta combinação sempre me agradou, também por ser um gosto de família, com a minha mãe e a minha avó a decorarem as casas assim.

Se tivesses que destacar apenas um objecto do quarto, qual escolherias?
A fotografia em que estou ao colo do meu pai, porque estamos muito felizes.

Gostas de fazer renovações no quarto?
Não costumo fazer, mas penso que mais por comodismo, porque cresci com a minha mãe a mudar a casa frequentemente e adorava a sensação de entrar numa casa nova.

O que não dispensas no teu quarto?
Lençóis de algodão e persianas. Não há conforto sem eles.

Tens alguma obsessão ou mania que queiras partilhar, como por exemplo... sapatos?
Sapatos, definitivamente! Só que a maior de todas são as revistas, mas que só entram no quarto uns minutos antes de dormir.

Como era o teu quarto em criança?
Tive vários quartos, porque vivi em diversas casas e foram mudando com as minhas próprias mudanças interiores. A minha mãe entendia-as bem!



© photography Sara Gomes
© text Carolina Almeida
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

room service - catarina carreiras.










Com apenas 27 anos, esta cascalense de gema é consultora no departamento de design da Fabrica Features, o centro de pesquisa e comunicação da Benetton, em Treviso.

Catarina Carreiras é daqueles exemplos inspiradores, cheios de talento e com um sentido estético invejável. Acriatividade corre-lhe no sangue. As artes sempre foram o seu mundo. O Design de Comunicação a área pela qual se apaixonou. Divide a vida entre Cascais e a cidade italiana, tendo trabalhado ainda um ano em Nova Iorque. Os objetos (e as suas histórias) são uma das grandes paixões de Catarina e, por essa razão, foi muito fácil perdermo-nos no seu quarto, tão luminoso quanto inspirador. Tal como ela.

Sempre soubeste que querias seguir Design?

Foi fácil saber. A minha mãe é arquiteta e eu toda a vida andei metida nesse mundo. Ela puxava muito por nós. Pinturas e brincadeiras com plasticinas....lembro-me de ir para o atelier com ela, ajudar a cortar autocolantes.

Daí até à Faculdade de Belas Artes foi um salto, e até à Fabrica, outro, um pouco maior. Como surgiu esta oportunidade?
Ainda fui a algumas entrevistas em Portugal, mas a ideia era ir para fora e tinha muito claro na minha cabeça para onde queria ir - a Fabrica Features. Conhecia o trabalho deles desde pequena, de andar na Benetton e ver a revista Colors, etc. Candidatei-me e entrei. Desde aí nunca mais saí. Comecei como student e agora sou consultora, no departamento de design.

Com tantos objetos que tens no teu quarto, tens de contar-me a história de um ou outro...
Alguns dos mais especiais são a coleção de câmaras antigas, que eu e o Francisco (namorado) fomos comprando. Mas algumas eram do avô dele e todas têm uma história. Gosto imenso de fotografia. Não tenho jeito nenhum, mas gosto muito da ação de fazer uma fotografia. E faço muitos trabalhos de styling na Fabrica. Só que esta coleção foi criada mais pelos objetos em si, que acho que são muito bonitos.

Esse trabalho de styling é só com objetos, certo?
Sim! Gosto imenso de experimentar, tenho de fazer com objetos porque é geralmente o que eles precisam. Mas às vezes vou experimentando outras coisas.... não tenho é muito tempo. Se tirasse agora um Mestrado, fazia algo em fotografia para desenvolver esta parte de styling, que gosto imenso.

Mais algum objeto que queiras destacar?
Sim, outro que gosto muito e é meu: uma coleção de blocos de notas, que vai sair em Setembro. Foi a primeira vez que fiz algo que sinto que é mesmo "eu". É uma coleção de cadernos para um Museu de Arte e Design, na Bélgica, e inclui vários tamanhos de blocos, t-shirts...

Porque é que dizes que é tão "teu"?
Acho que define bem o meu estilo...bem, para um designer é sempre difícil a história do estilo - e eu até acho que é bom ter um estilo, embora sempre para se ir reinventando - e, portanto, esta foi a primeira vez que tive a certeza que isto era mesmo "eu" e que se olhasse para estes cadernos daqui a dez anos, iria continuar a gostar... é sempre este o meu trauma! Foi também a primeira vez que trabalhei com um produtor português, que é um senhor engraçadíssimo. A partir daí, tenho feito tudo com ele, porque, apesar de estar tanto tempo fora do país, acho importante produzir cá, cada vez mais. Temos preços ótimos e grande qualidade.

O que gostas mais no teu quarto?
Da luz! Gosto do facto de estar virado para o jardim e de acordar com as gaivotas. E adoro o armário e as portas...

Gostava também que me falasses da tua relação com o branco. Além do quarto, é uma constante em toda a casa...
O branco é uma mania que apanhei do Sam (Baron, diretor criativo da Fabrica). Eu não era nada de branco, aliás, na casa dos meus pais, as paredes do quarto eram verdes. Mas, agora, gosto imenso enquanto base, e, como trabalhar com objetos me fez ter outra sensibilidade com os objetos em si, canso-me com muita facilidade. Por isso, gosto de ter a base branca e ir mudando os pormenores, alterando-os de sítio... e também porque acho que o branco transmite serenidade e faz-me sentir em casa.

O que não dispensas no teu quarto? Almofadas e música! De resto sou muito flexível, até porque não posso ser esquisita (risos). Nunca fiz muito vida de quarto... é para dormir e vestir. Só que precisa de ter uma certa harmonia e de estar arrumado, porque hoje em dia a minha vida é tão caótica, que naquilo que posso controlar, tem de ser mesmo controlado!

Em que é que te inspiras para os teus trabalhos? Em tudo menos em design gráfico. Faço muita pesquisa, é constante. Tenho pastas super organizadas de pesquisas, imagens que encontro e gosto... cada vez que tenho um projeto ou quando estou bloqueada, recorro a essas pesquisas. Mas também tento encontrar muito dentro de mim própria. Preciso de ver alguma coisa, um livro, por exemplo, para me surgirem ideias. Escrevo muito também - desenhar, nem tanto; depois passo do bloco para o computador. Chegando aí, sou rápida. Sou incapaz de ficar uma semana a desenhar um objeto. É um processo criativo muito visual. E tento sempre que as coisas tenham uma história.

Qual o melhor conselho que já te deram?
O meu pai, sempre que eu saía de casa, dizia-me "porta-te mal" (risos). Mas dentro da educação que tive, muito regrada e disciplinada, esse conselho para mim funcionava bem. O Sam [Baron] é um poço de conselhos, é para mim como um mentor, e também sempre me disse para "fugir ao óbvio". É um conselho muito simples mas muito importante, porque estás sempre a desafiar-te.


© photography Sara Gomes
© text Carolina Almeida
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